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	<title>Nando Reis &#187; Seleção Brasileira</title>
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		<title>Boleiros &#8211; DISTANTE ESTÔNIA</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Aug 2009 15:14:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Nando Reis</dc:creator>
				<category><![CDATA[Boleiros]]></category>
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		<description><![CDATA[Artigo de 13 de agosto de 2009 da Coluna Boleiros do Caderno de Esportes do jornal Estado de São Paulo
Sob a chuva incessante que lavava a tarde alva da cidade de Tallinn, uma brasileira entoou à capela o hino brasileiro para uma platéia diminuta que, certamente, jamais havia ouvido tal som feito de tantas vogais. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Artigo de 13 de agosto de 2009 da Coluna Boleiros do Caderno de Esportes do jornal Estado de São Paulo</strong></p>
<p>Sob a chuva incessante que lavava a tarde alva da cidade de Tallinn, uma brasileira entoou à capela o hino brasileiro para uma platéia diminuta que, certamente, jamais havia ouvido tal som feito de tantas vogais. Um homem alto e calvo, tão branco como a neve que deve cobrir a terra no inverno longo que chegará em breve, sustentava um guarda-chuva improvisado, criando um contraste inquestionável com a pele escura da gaúcha canora. Findo o hino da terra dos índios, era hora da glória do hino dos loiros. E ouviu-se um som cheio de consoantes vibrantes, estranhas aos ouvidos nossos acostumados com cores. O Brasil encontrava a Estônia.</p>
<p>No horário esquisito das duas e quinze da tarde, o amistoso reunia na data Fifa da quarta-feira sobrecarregada, essas duas seleções que de semelhantes só tinham o mesmo o número de atletas – onze.  Logo no início já vimos que o ânimo entre os confrontantes não estava nada amistoso. Um curioso bate-boca entre Robinho e o goleiro Pareiko indicava o tom áspero da hostilidade. Difícil imaginar em que dialeto eles se comunicavam, embora eu acredite que para entender um bom palavrão não é preciso legenda ou tradução, é só ver o fogo dos olhos. E ao longo da partida não faltaram bicões e botinadas. Primeiro bateram os estonianos, e depois revidaram do mesmo jeito os brasileiros. E a bola ficou meio que esquecida, pra não dizer mal tratada.</p>
<p>Esquisita também foi a transmissão da internacional pelada . Deduzi que a imagem gerada na terra distante estava sendo captada e manipulada por gente que não vê futebol com muita frequência. Que horror de edição! Não foram poucas as jogadas que foram filmadas sem a presença importante e protagonista da bola. Os cantos mais agudos do campo pelas câmeras eram completamente ignorados. Escassez de replays, embora escassos também os melhores lances. Eu não tinha idéia de como é importante a qualidade da edição das imagens e o posicionamento das câmeras para o entendimento de uma partida de futebol quando assistida pela TV. De fato, nós brasileiros sabemos bem como mostrar um jogo, o que não é o caso dos estonianos que trabalham na televisão. Parece até que eles não sabiam que esporte estava sendo jogado (peço desculpas se estiver enganado).</p>
<p>Até que finalmente aos 24 minutos da segunda etapa, na cobrança de um escanteio, Luisão acerta o goleiro e a moçada partiu pra ignorância. Por pouco a pelada não descamba pra pancadaria. Pareiko mais uma vez soltou a língua e uma coleção de impropérios foi lançada num jato de perdigotos. A turma do deixa disso conseguiu acalmar o bafafá e a partida seguiu seu ritmo morno e tenebroso. Nessa hora os times já estavam desfigurados pela quantidade infinita e tradicional das substituições dos amistoso, aquele lenga-lenga chato dos testes que só são interessantes e importantes para os técnicos. E a tarde corria fria embora azul e ensolarada, com o inverno marcando a sua metereológica presença.</p>
<p>Os donos da casa tentavam fazer alguma coisa com o pouco futebol que lhes foi destinado. Um chute ou outro de meia distância, nada que pudesse ameaçar de fato. Cabe aqui ressaltar o que os jornais já haviam avisado de véspera: o estádio era realmente modesto, pra não dizer minúsculo, embora estivesse quase que totalmente tomado. E talvez tenha sido esse mesmo o maior combustível para o sufoco que o Brasil tomou nos minutos finais: as cornetas ensurdecedoras continuaram a tocar, acompanhadas do vozerio da turba inflamada que começou a gritar.  Felipe Melo fez uma falta criminosa, mas quem foi expulso foi Kruganov (?). </p>
<p>Lamentável.</p>
<p>Ah, já ia me esquecendo… o Brasil ganhou de 1&#215;0.</p>
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		<title>Boleiros &#8211; Fim da Ressaca</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Jul 2009 11:25:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Nando Reis</dc:creator>
				<category><![CDATA[Boleiros]]></category>
		<category><![CDATA[Seleção Brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[Artigo de 02 de julho de 2009 da coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Estado de S.Paulo.
    Alguma coisa mudou na minha relação com a seleção brasileira. E acho que não foi só comigo que se deu esse fenômeno. Domingo, aqui em casa, na feijoada que fizemos para receber a visita [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Artigo de 02 de julho de 2009 da coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Estado de S.Paulo.</strong></p>
<p>    Alguma coisa mudou na minha relação com a seleção brasileira. E acho que não foi só comigo que se deu esse fenômeno. Domingo, aqui em casa, na feijoada que fizemos para receber a visita de Ismael, pude notar que havia uma notável diferença: o interesse voltou. Sim, é inegável – digo mais, quase que inacreditável – que a seleção de Dunga tenha conseguido resgatar o interesse do público. Claro, era uma final, e isso sempre atrai as atenções. Mas o resgate que eu percebo, não se deu nesse episódio isolado, vem vindo lenta e gradativamente.</p>
<p>    Já no amistoso contra a Itália no começo do ano, havia ficado bem impressionado com a apresentação do escrete, com aquele golaço do Robinho. Há muito tempo que eu não tenho mais saco para amistosos, muito menos para os amistosos da nossa seleção. Acho sempre detestável aquele momento que se inicia aos 10 minutos do segundo tempo, quando os técnicos resolvem fazer experiências e iniciam aquela série interminável de oito substituições que descaracterizam totalmente o time. Ou então aqueles jogos caça-níqueis que a CBF arranja contra uns países sem nenhuma tradição no futebol. Mas não foi esse o caso do primeiro jogo do ano contra a Azzura, seleção campeã do mundo &#8211; vitória incontestável. E desde esse amistoso que começou a voltar o meu interesse pela seleção.</p>
<p>    Sempre tive muito mais apetite para ver os jogos do meu tricolor, do que os do Brasil. E sei que é assim com quase todo mundo. Claro, que em Copa do Mundo a coisa muda. Mas foi justamente a grande decepção que tivemos na Copa da Alemanha em 2006 que gerou esse descaso da torcida com a seleção, esse desencontro que, a meu ver, parecia longe de ser reatado. Para minha grande surpresa isso está acontecendo nesse momento. E a surpresa se torna maior porque ela se dá sob o comando nada carismático de Dunga – muito pelo contrário, seu comando é quase antipático. Se dá através do futebol jogado em campo que, aí sim, tem a mão e o jeito do técnico. </p>
<p>    Não se trata aqui de exaltar apenas os resultados, sem enxergar as circunstâncias em que eles se deram. Se não é um futebol dos sonhos, está muito longe de ser um futebol vulgar. Acho mesmo que o futebol que a seleção vem jogando tem sim uma cara própria, uma cara nova, uma cara diferente até mesmo dos primeiros anos da nova era Dunga. Houve uma mudança e, como reflexo e com algum espanto, essa mudança trouxe de volta uma alegria. Assistir aos jogos do Brasil passou, de novo, a dar barato. O primeiro tempo do jogo contra a Itália e o segundo tempo do jogo contra os Estados Unidos, foram emocionantes.</p>
<p>    Cada um de nós tem seu modo particular de enxergar na seleção aquilo que é o gosto da sua vontade. Todo mundo gosta de ver o jogador de seu time jogando bem com a amarelinha. Mas como quase mais ninguém do Brasil é chamado, e quando é chamado já é sinal de que está indo embora, a gente acaba transferindo essa simpatia para ex-jogadores dos nossos times. Confesso que eu fico chapado vendo o Luís Fabiano como titular da camisa nove e acho que o mérito é todo do centroavante. Esperou a vaga que já foi de Afonso, de Vagner Love, até de Pato, para se firmar aos poucos com gols muito importantes, feitos de todas as maneiras possíveis. </p>
<p>    A conquista do tricampeonato da Copa das Confederações não é exatamente um título que faça a gente sair gritando no terraço, se abraçando pela sala em euforia. Poucos rojões ouvi estourar; buzinas, acho que nenhuma. Sinto que a ressaca do porre da Alemanha já está passando, e estamos muito próximos de garantir a vaga pra África do Sul. Sei que deve ter gente que não concorda, mas tenho certeza de que os argentinos estão muito preocupados.</p>
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