Posts com a tag "Seleção Brasileira"
Boleiros – Fim da Ressaca Por Equipe Nando Reis
Artigo de 02 de julho de 2009 da coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Estado de S.Paulo.
Alguma coisa mudou na minha relação com a seleção brasileira. E acho que não foi só comigo que se deu esse fenômeno. Domingo, aqui em casa, na feijoada que fizemos para receber a visita de Ismael, pude notar que havia uma notável diferença: o interesse voltou. Sim, é inegável – digo mais, quase que inacreditável – que a seleção de Dunga tenha conseguido resgatar o interesse do público. Claro, era uma final, e isso sempre atrai as atenções. Mas o resgate que eu percebo, não se deu nesse episódio isolado, vem vindo lenta e gradativamente.
Já no amistoso contra a Itália no começo do ano, havia ficado bem impressionado com a apresentação do escrete, com aquele golaço do Robinho. Há muito tempo que eu não tenho mais saco para amistosos, muito menos para os amistosos da nossa seleção. Acho sempre detestável aquele momento que se inicia aos 10 minutos do segundo tempo, quando os técnicos resolvem fazer experiências e iniciam aquela série interminável de oito substituições que descaracterizam totalmente o time. Ou então aqueles jogos caça-níqueis que a CBF arranja contra uns países sem nenhuma tradição no futebol. Mas não foi esse o caso do primeiro jogo do ano contra a Azzura, seleção campeã do mundo – vitória incontestável. E desde esse amistoso que começou a voltar o meu interesse pela seleção.
Sempre tive muito mais apetite para ver os jogos do meu tricolor, do que os do Brasil. E sei que é assim com quase todo mundo. Claro, que em Copa do Mundo a coisa muda. Mas foi justamente a grande decepção que tivemos na Copa da Alemanha em 2006 que gerou esse descaso da torcida com a seleção, esse desencontro que, a meu ver, parecia longe de ser reatado. Para minha grande surpresa isso está acontecendo nesse momento. E a surpresa se torna maior porque ela se dá sob o comando nada carismático de Dunga – muito pelo contrário, seu comando é quase antipático. Se dá através do futebol jogado em campo que, aí sim, tem a mão e o jeito do técnico.
Não se trata aqui de exaltar apenas os resultados, sem enxergar as circunstâncias em que eles se deram. Se não é um futebol dos sonhos, está muito longe de ser um futebol vulgar. Acho mesmo que o futebol que a seleção vem jogando tem sim uma cara própria, uma cara nova, uma cara diferente até mesmo dos primeiros anos da nova era Dunga. Houve uma mudança e, como reflexo e com algum espanto, essa mudança trouxe de volta uma alegria. Assistir aos jogos do Brasil passou, de novo, a dar barato. O primeiro tempo do jogo contra a Itália e o segundo tempo do jogo contra os Estados Unidos, foram emocionantes.
Cada um de nós tem seu modo particular de enxergar na seleção aquilo que é o gosto da sua vontade. Todo mundo gosta de ver o jogador de seu time jogando bem com a amarelinha. Mas como quase mais ninguém do Brasil é chamado, e quando é chamado já é sinal de que está indo embora, a gente acaba transferindo essa simpatia para ex-jogadores dos nossos times. Confesso que eu fico chapado vendo o Luís Fabiano como titular da camisa nove e acho que o mérito é todo do centroavante. Esperou a vaga que já foi de Afonso, de Vagner Love, até de Pato, para se firmar aos poucos com gols muito importantes, feitos de todas as maneiras possíveis.
A conquista do tricampeonato da Copa das Confederações não é exatamente um título que faça a gente sair gritando no terraço, se abraçando pela sala em euforia. Poucos rojões ouvi estourar; buzinas, acho que nenhuma. Sinto que a ressaca do porre da Alemanha já está passando, e estamos muito próximos de garantir a vaga pra África do Sul. Sei que deve ter gente que não concorda, mas tenho certeza de que os argentinos estão muito preocupados.



