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	<title>Nando Reis &#187; são paulo</title>
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		<title>DOIS ANOS DEPOIS</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 17:12:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Nando Reis</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Artigo de 29 de outubro de 2009 da Coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Estado de São Paulo.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Artigo de 29 de outubro de 2009 da Coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Estado de São Paulo.</strong></p>
<p>    Há dois anos uma revelação indesejada descaiu sobre mim com o impacto de uma bomba, com a força invisível de um furacão. Cada um de nós tem seu pequeno baú de segredos, de pensamentos inadequados, de desejos inconfessáveis que respiram o ar rarefeito do sótão da mente incongruente, que só enxergam na luz com extrema dificuldade, pois foram criados na sombra, no canto protegido e esquivo que busca o retiro da escuridão. E não há nada de errado em não querer ser visto por todos o tempo inteiro. Buscar o refresco do recreio do silêncio das vozes alheias, o sossego do afastamento do convívio com os outros, mesmo que seja pelo o átimo de um segundo, pelo instante breve de poucos minutos, pelo degelo desértico da espera dos meses, pelo monólito dos anos seguidos e infinitos, por uma vida inteira&#8230; Faz parte. O que há de errado em querermos mudar de lugar, mesmo sem garantias de que venhamos a conseguir? Uma revelação não traz consigo necessariamente a resposta do seu entendimento; não há bula se não há remédio, não há chave onde não há portão.</p>
<p>    Curioso é lembrar que justamente há dois anos o Campeonato Brasileiro estava nessa mesma fase, próximo ao desfecho. Lembro bem de um jogo de importância capital que não pude assistir no campo. Prostrado na cama, as imagens do estádio lotado provocaram em mim um sentimento de medo e desolação. </p>
<p>  Quando você se sente mal fisicamente é estranho olhar para uma multidão. Ela exacerba o confinamento desse momento excludente, e a relação com o coletivo soa como enfática expulsão. Ao ver todos juntos você se sente como o “menos um”.</p>
<p>    Futebol sempre foi para mim uma espécie de aquário onde nadam os peixinhos uniformizados da saúde (que é o esporte) e da euforia (que é alegria coletiva). Quando é algo dramático, explode assim, feito vulcão. Dentro do estádio, tudo que é vivo fica estático quando a memória registra nos livros coloridos dos arquivos o momento mais bonito que é a feitura de um gol. Claro que nem todo gol é bonito, não é lindo feito pintura. Tem gol feio que é querido, mas um gol contra é sempre doloroso, horroroso, indesejável, abominável.<br />
  Daniel Piza escreveu aqui há alguns dias que comparar futebol com amor é ridículo. Não acho. Amar é se permitir a ser ridículo, e a gente fica melhor quando não se amarra com tanta contenção. Quanto mais imperfeito, mais humano, mais belo. </p>
<p>    Estava ontem vendo futebol pela TV com meu filho Sebastião, de 14 anos. De uns tempos pra cá o futebol entrou em sua vida de um modo muito intenso, poderoso, alucinante. Ocupa sua mente quase o tempo todo. O grande assunto é o São Paulo, os jogos dos adversários, os treinos, as notícias, os programas esportivos, o Campeonato… O futebol, enfim! Falávamos sobre o quão decisivo seria o jogo contra o Internacional e ele segredou com comovente inocência: “Se o São Paulo perder acho que eu vou chorar”. Quando ouvi essa frase fiquei pasmo. </p>
<p>  Não sabia como reagir, como responder, o que falar. Me senti meio ridículo de dizer que eu também sentiria vontade de chorar &#8211; como já sentira em tantas outras ocasiões -, mas achei que seria ainda mais ridículo dizer que ele não deveria se importar tanto com isso. É bom poder chorar nas derrotas, embora o mundo todo o tempo inteiro esteja nos dizendo que o importante é ser feliz. Ser feliz não é apenas sorrir. Espero hoje estar exultante. Mas dois anos depois, não vou dizer que não tenha sido bom aprender a ruir. </p>
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		<title>EM SAMPA, FOI SÓ EMOÇÃO</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 14:13:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Nando Reis</dc:creator>
				<category><![CDATA[Show]]></category>
		<category><![CDATA[conta]]></category>
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		<description><![CDATA[            Tocar em São Paulo é meio como disputar clássico em casa. O time entra em campo confiante, conta com a vibração da torcida, e sente a força da responsabilidade da vitória.
            Foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>            Tocar em São Paulo é meio como disputar clássico em casa. O time entra em campo confiante, conta com a vibração da torcida, e sente a força da responsabilidade da vitória.</p>
<p>            Foi assim com o show do Nando e os Infernais no HSBC, no último sábado (24/10). É sempre bom jogar em casa, principalmente com o paizão na primeira fileira, torcendo.</p>
<p>            E a gente trouxe um momento muito especial do show, a música “Conta”, que Nando escreveu em homenagem à mãe, Dona Cecília. Dá até para sentir o gole em seco do artista no início da música, a emoção à flor da pele, enquanto no telão aparecem imagens da sua mãe. </p>
<p><object width="560" height="340"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/t9d3_UrqI8E&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/t9d3_UrqI8E&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"></embed></object></p>
<p>            Depois, no camarim, foi a hora da comemoração com a família, os amigos e os fãs também. E já tem gente com ingresso comprado para o show do Guarujá, os fãs de carteirinha do Nando e os Infernais. Danúbia e Felipe, vencedores da promoção na comunidade de fãs do Nando no Orkut, ganharam entradas e curtiram muito o show de Sampa.</p>
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		<title>Boleiros &#8211; Só mesmo futebol</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Aug 2009 12:47:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Nando Reis</dc:creator>
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		<category><![CDATA[corinthians]]></category>
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		<description><![CDATA[Artigo de 06 de agosto de 2009 da Coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Estado de São Paulo
E o sol voltou para alegria dos varais lotados. Mas nem mesmo o sol fulgurante vai fazer voltar o torcedor às arquibancadas para assistir um futebol desfigurado. A janela aberta vê a debandada dos pássaros ávidos pelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Artigo de 06 de agosto de 2009 da Coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Estado de São Paulo</strong></p>
<p>E o sol voltou para alegria dos varais lotados. Mas nem mesmo o sol fulgurante vai fazer voltar o torcedor às arquibancadas para assistir um futebol desfigurado. A janela aberta vê a debandada dos pássaros ávidos pelo alpiste graúdo e valioso da moeda forte que brilha lá fora . Nada errado se olharmos pelo ponto de vista do jogador profissional que quer sua a estabilidade e a tal independência financeira, afinal de contas seu ofício tem o risco das contusões e o prazo de validade do corpo finito e biológico. </p>
<p> Mas como ficamos nós, os torcedores apaixonados? Melhor exemplo não há do que ver o declínio na presença de torcedores corintianos nas últimas rodadas. Nem mesmo a fascinante entrega da torcida alvinegra garante o comparecimento quando a queda de qualidade é incontestável. E qual a razão? O elenco que foi cultivado, esculpido, preparado ao longo de dois anos, cujo entrosamento gerou o bom futebol que levantou o Estadual e a Copa do Brasil, começou a ser desmontado. Christian, André Santos e Douglas já foram embora. Com a contusão de Ronaldo o time sentiu, o rendimento caiu e a presença da torcida diminuiu. Natural, é assim que acontece. Torcedor gosta de títulos, mas gosta ainda mais de ver bom futebol. E vai levar um tempo pro Corinthians se reorganizar.</p>
<p> E ainda tem essa loucura da TV: jogo toda hora, todo dia, em todos os canais. Eu sei que isso faz parte do aspecto empresarial, do pensamento que move o futebol-busines &#8211; tudo certo. Não sou ingênuo, sei que as receitas geradas pelos direitos de transmissão são a maior fonte de renda para a sobrevivência dos times falidos. Já está estabelecido como realidade, é irreversível. Não é só isso que afasta a torcida. O que afasta a torcida é o mau futebol. Torcedor é capaz de encarar as más condições de transporte, a dificuldade pra estacionar o carro, o preço alto do ingresso, o banheiro imundo e vandalizado, a violência dos baderneiros estúpidos, as bilheterias fechadas, as filas imensas, a arquibancada molhada, a cerveja proibida, tudo… O que não dá pra encarar é um futebolzinho fuleiro, medíocre e mal jogado.</p>
<p> Por isso é tão triste para um torcedor, esperar pelo menos dois anos pro seu time entrar em forma, montar um elenco dentro das suas possibilidades e assim que o resultado desse tempo de treinamento começa aparecer, assim que o investimento dá o dividendo de uma alegria, de um prazer, imediatamente esse conjunto é desfeito com a venda dos craques.</p>
<p> Semana passada fui ao estádio com meus filhos ver o São Paulo jogar. Durante 20 minutos no segundo tempo vimos nosso time jogar um futebol de qualidade, melhor do que a soma de todas as outras partidas que jogou ao longo do ano todo. Não é muita coisa eu sei. Mas esses 20 míseros minutos foram suficientes para eles quererem voltar ao estádio. O ânimo se reacendeu, deu novo sentido a paixão, despertou o interesse. </p>
<p> É isso, é simples assim. O que leva gente ao estádio é o bom futebol. </p>
<p> Boas jogadas, trocas de passes, dribles, inversões… é isso que o torcedor precisa, quer, pede e merece. Podem encher os canais com ininterruptas transmissões; podem sofisticar o tira-teima para identificar os milímetros minúsculos de um impedimento mal marcado ou injustiça de um gol anulado; podem colocar câmeras em todos os cantos do estádio, repetir cada lance com 20, 30 replays de mil ângulos diferentes. Mesmo com a cerveja e o refrigerante ao alcance do braço, ou o conforto do sofá da sala ou a preferida poltrona…nada disso vai impedir um torcedor de prestigiar seu time no estádio se existir a chance de ver um futebol brilhante.</p>
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		<title>Boleiros &#8211; Ilusão de Ótica</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Jul 2009 12:24:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Nando Reis</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Artigo de 23 de julho de 2009 da Coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Jornal Estado de São Paulo
E Muricy foi pro Palmeiras! Trinta e três dias depois de ser demitido do São Paulo, time para qual deu um tricampeonato inédito na história do clube, o treinador não vai mudar muito o roteiro que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Artigo de 23 de julho de 2009 da Coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Jornal Estado de São Paulo</strong></p>
<p>E Muricy foi pro Palmeiras! Trinta e três dias depois de ser demitido do São Paulo, time para qual deu um tricampeonato inédito na história do clube, o treinador não vai mudar muito o roteiro que segue da sua casa até o endereço do novo trabalho. Será do outro lado do muro que separam os centros de treinamento dos rivais que o técnico tentará repetir a façanha que o consagrou e o elevou ao patamar de grande treinador &#8211; a rotina dos títulos. É impressionante a sua marca: não houve um ano nos últimos nove em que Muricy não tenha conquistado algum título pelos clubes que passou. É disso que trata a vida de um técnico, amealhar vitórias. É isso que esperam dirigentes e torcedores, o único ponto onde eles realmente pensam iguais, pois o resto é um desentendimento só: torcedores gostam de contratações, dirigentes gostam de vender jogadores.</p>
<p> E foi justamente a súbita ausência de vitórias que fez com que a diretoria do São Paulo resolvesse demitir o técnico. A obstinação pela Libertadores, o quarto fracasso seguido na busca do título intercontinental, fez com que o ciclo do treinador se encerrasse em plena andamento do Campeonato no qual ele é o maior colecionador de títulos da era dos pontos corridos, justamente porque é aquele que obteve o maior número de pontos. Pontos esses que nesse momento faltam ao São Paulo e sobram ao Palmeiras. É importante lembrar que mesmo ganhando todos os títulos nacionais que disputou pelo seu ex-clube, não houve um ano em que a permanência do comandante não fosse contestada após as referidas desclassificações nos mata-matas. No São Paulo, Muricy era muito criticado por “não saber” jogar torneios eliminatórios.</p>
<p> Acho curioso esse fascínio que os brasileiros ainda têm pelos confrontos diretos, essa idéia de que quem ganha esse tipo de campeonato é mais viril, mais potente. Torcedores, dirigentes e mesmo alguns cronistas gostam dos tais times “copeiros”, expressão que eu acho um tanto quanto ridícula. Quantas vezes não ouvi a própria torcida do São Paulo apupar seus jogadores após eliminações em mata-matas chamando-os de “pipoqueiros”, “amarelões”, coisas do gênero. Essa relação subliminar entre vencedores de torneios eliminatórios com masculinidade, virilidade, potência sexual é um traço revelador de um pensamento machista, um tanto quanto descolado para o futebol atual de chuteiras tão coloridas e comemorações com tantos beijos.</p>
<p> Jogadores atualmente costumam trocar de time como trocam de roupa, já estamos acostumados. Dormem beijando o escudo que no dia seguinte terão como adversários. Técnicos nunca tiveram essa relação de identificação tão íntima, esse vínculo de sua imagem ligado tão diretamente com os clubes para os quais trabalham. Há aqueles que vão a campo sem qualquer vestígio do distintivo do time em seus ternos mal cortados. Mas há algumas exceções. Da mesma maneira que é difícil imaginar Joel Santana com algum agasalho que não seja o do Flamengo, parece um pouco estranho Muricy com o uniforme do Palmeiras. Mas isso é evidentemente uma impressão que incomodará mais os torcedores tricolores. Daqui a dois meses Muricy e Palmeiras já estarão tão misturados que parecerá que o treinador nasceu na própria Academia.</p>
<p> Enfim, na semana que vem o técnico tricampeão estreará no comando de seu novo clube. Luxemburgo já reassumiu o Santos. Tenho certeza que alguma coisa soará deslocada quando se enfrentarem São Paulo e Palmeiras, assim como Palmeiras e Santos. Mas como nessa vida a tudo a gente se acostuma, certamente esse estranhamento não passará de uma ilusão de ótica. </p>
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		<title>Boleiros &#8211; Para não se espatifar</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Jul 2009 14:10:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Nando Reis</dc:creator>
				<category><![CDATA[Boleiros]]></category>
		<category><![CDATA[Cao Hamburguer]]></category>
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		<description><![CDATA[Artigo de16 de julho de 2009 da Coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Jornal Estado de São Paulo
Todo grande time começa por um grande goleiro. Como toda regra tem sua exceção, não será preciso lembrar desse provérbio pra relativizar a frase de abertura. Basta lembrar a seleção de 70. Mas que falta que fazem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Artigo de16 de julho de 2009 da Coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Jornal Estado de São Paulo</strong></p>
<p>Todo grande time começa por um grande goleiro. Como toda regra tem sua exceção, não será preciso lembrar desse provérbio pra relativizar a frase de abertura. Basta lembrar a seleção de 70. Mas que falta que fazem os grandes goleiros aos times que se acostumaram a tê-los como obstáculo intransponível debaixo do travessão. Um bom exemplo é o São Paulo dos dias de hoje. O que está acontecendo com o atual campeão brasileiro é um mistério indecifrável. A queda brutal de rendimento não só do time todo, mas especialmente de alguns jogadores é assustadora. </p>
<p> Explicações? Só mesmo aqueles que estão ali dentro poderiam apresentar. Daqui de fora só especulações. Mas há um dado que não pode ser desconsiderado: desde a contusão de Rogério Ceni as coisas degringolaram no time do Morumbi. E é pouco provável que seja apenas uma coincidência. Sem o seu capitão em campo o São Paulo perdeu o rumo, perdeu todas as partidas que não podia perder, perdeu também seu técnico e parece ter perdido a confiança.</p>
<p> É um dos maiores clichês do futebol dizer que só vai para o gol quem não sabe jogar direito. Sempre admirei a opção daqueles que pediam a camisa número 1. Nos tempos do Equipe, tínhamos um time de futebol de campo chamado Papagaio. Não era exatamente um time vencedor embora contasse com jogadores habilidosos no meio-campo. Mas a nossa reputação só não era pior por causa do monumental goleiro Cao Hamburguer. Com defesas espetaculares, saídas providenciais e corajosas, incrível reflexo e impressionante elasticidade o grande cineasta de hoje certamente dividiu por dois a quantidade de gols que deveriam ter vazado a meta de nosso time arrojado. Outro grande goleiro foi Paulo Miklos, a quem conheci nas quadras de salão da Martiniano de Carvalho e que depois garantiu anos de invencibilidade dos Leões da Babilônia, o time dos Titãs. Não saberia dizer se há entre os goleiros alguma característica comum que os diferencie dos demais jogadores. Dizem que eles são pacatos. Não creio. </p>
<p>Obrigatoriamente tem que ser altos, mas há casos de bons goleiros baixos que desmentem essa prerrogativa. Só sei que com um bom goleiro as coisas começam com um mínimo de estabilidade. Além da condição especialíssima de poderem usar as mãos, os goleiros estão ali para impedir aquilo que é a razão do próprio jogo: o gol. Dessa forma os goleiros têm um grau maior de responsabilidade do que os outros. (Será? Certamente os goleiros não concordam com isso). </p>
<p> Talvez responsabilidade não seja a palavra mais precisa. Seria melhor dizer que os goleiros podem ter um grau de culpabilidade que faz com que a pressão sobre suas costas seja maior do que a pressão que age sobre os outros. Por exemplo, é preciso ter um tremendo sangue frio pra encarar um batedor de pênalti. Ou então, um grau absurdo de serenidade para buscar a bola no fundo das redes. Imagine, então, o que deve ser o estágio de elevação espiritual para superar a humilhação de tomar um tremendo frango? É preciso ser muito corajoso para jogar no gol.</p>
<p> Gosto de pensar que há em cada um de nós um aspecto “goleiro”. Imagino esse nosso íntimo guarda-metas como uma espécie de leme de sensatez, fruto de um conjunto de noções de equilíbrio e proteção, mas que se fundem com uma tendência desafiadora e agressiva que sempre gosta quando a vida nos coloca em situações limites. “E agora José, como vamos sair dessa?” Nesses momentos é preciso dar saltos suicidas sem medo de se esfolar ou se espatifar no chão; não importa o sacrifício, não importa a dor, o fundamental é não deixar a nossa rede balançar.</p>
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		<title>BOLEIROS &#8211; MURITRY</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 12:51:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Nando Reis</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Artigo de 25 de junho de 2009 da coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Estado de S.Paulo.
   Estranho mundo esse do futebol. Um técnico legitimamente tricampeão é demitido de seu cargo, após seu time naufragar pela quarta vez seguida no torneio continental que é tido como prioridade pela diretoria do clube [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> Artigo de 25 de junho de 2009 da coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Estado de S.Paulo.</strong></p>
<p>   Estranho mundo esse do futebol. Um técnico legitimamente tricampeão é demitido de seu cargo, após seu time naufragar pela quarta vez seguida no torneio continental que é tido como prioridade pela diretoria do clube que persegue obstinadamente esse outro título, que passou a ser também a obsessão de sua torcida. A torcida insatisfeita com o novo fracasso grita com entusiasmo e paixão o nome do técnico demitido nas arquibancadas, do mesmo lugar onde ela, torcida, assistiu seu time do coração perder a condição de permanecer no torneio que também era o objetivo principal de seus jogadores. </p>
<p>  Os jogadores não conseguem coordenar o discurso proferido por todos do grupo, que reafirma a intenção de priorizar o tal torneio. Parecem estar afinados com a torcida e a diretoria nesse quesito, mas não conseguem coordenar três passes seguidos dentro do campo, revelando que essa coordenação verbal não tem correspondência na parte motora. A própria diretoria não conseguiu emitir ordens coerentes durante a jornada que buscava o épico primeiro posto: distraída por um outro campeonato que ela mesma conjugava no diminutivo, acabou fazendo escolhas erradas que dificultaram a trajetória e acabaram criando dificuldades maiores para aquilo que já seria uma tarefa e tanto.</p>
<p>  Derrotas sempre precisam de culpados, e nem sempre os responsáveis encontram lógica para dar uma explicação. Quem estará certo? Difícil saber o que se passa dentro dos muros que cercam o ambiente onde trabalha e convive um grupo de profissionais, especialmente desse ramo esportivo – o futebol. Dezenas de seres humanos vivem seu dia a dia lidando com suscetibilidades de todas as naturezas, sejam psicológicas ou econômicas, com variáveis insondáveis que podem ou não determinar o êxito e a harmonia de um projeto coletivo. Sei por experiência própria, pois vivi 20 anos num regime de trabalho também coletivo, no meu caso 20 anos numa banda de rock’n’roll. Tantas vezes ouvi explicações, teorias, análises, críticas que falavam do resultado de nosso trabalho – músicas, discos e shows – e em geral o que ouvia era completamente disparatado, descolado daquilo que acontecia da realidade de sua construção, das próprias motivações, ou das raízes inspiradoras. Mas a realidade não é tão objetiva como pretende a visão de quem opina de fora. Realidade, nesse caso, não existe; é um apanhado caleidoscópico de visões, impressões, expressões divergentes. Não é sequer a mesma para aqueles que estão ali dentro. Tantas vezes vi que o que eu pensava não batia com aquilo que meus colegas de banda pensavam, tantas vezes vi também que nós nem sabíamos por que havíamos tomado certas decisões, tanto as corretas quanto as mais equivocadas. Há muito do acaso nas opções, nas soluções criadas.</p>
<p>    Um jogo de futebol, como todo projeto de criação coletivo, é como uma conversa, uma troca. Troca de palavras, de passes, de olhares; troca de ofensas ou de gentilezas, também. E essa sucessão de passes, palavras e olhares criam uma ordem, uma lógica, uma forma particular, uma desenho próprio, uma linguagem única, às vezes só entendida por aqueles que participam dessa conversa. Os que estão de fora apenas ouvem os sons dessa música, talvez sem entender o significado enigmático das palavras inventadas. </p>
<p>  Mas quando é possível perceber comunicação, é porque se estabeleceu uma harmonia. E as coisas fluem. Todo torcedor sabe quando seu time não está em harmonia. O futebol jogado em geral é pífio, raquítico, quase antipático. De cima das arquibancadas não se ouve o que é dito nos vestiários, mas será que não é lá de cima o melhor lugar para enxergar o caos escrito no gramado?</p>
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		<title>[BOLEIROS] CASAGRANDE &#8211; 11/06/09</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 14:49:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Nando Reis</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Artigo de 11 de junho de 2009 da coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Estado de S.Paulo.</strong></p>
<p>Foi na quarta-feira &#8211; quase quinta, pois já era madrugada &#8211; que vi meu amigo Casagrande numa reprise de algum programa esportivo de TV. Fazia um bom tempo que eu não ouvia sua voz e, principalmente, que não ouvia seu raciocínio rápido e arguto, perspicaz e único. Fiquei feliz demais. Ali, diante da tela de plasma líquido, diluída em cores cítricas, exausto depois de 8 horas de ensaio, deitado na cama feita, pude me deliciar com a surpresa da boa novidade. Casão na TV, no lugar certo, tratando do assunto certo, de forma certeira – sem a falácia das certezas, mas nem por isso hesitante ou escapando de polêmicas crivadas de dúvidas. O grande jogador estofava novamente o grande comentarista. Bravo!</p>
<p>Conheci Casagrande em 1982, 83, ou perto disso. Estávamos nós, os Titãs, no SESC Pompéia durante a tarde ensaiando para alguma apresentação que ali faríamos. Não me lembro se era um show ou gravação de um programa de televisão. Alto, magro, cabelos compridos e cacheados cobertos por um chapéu de feltro, bolsa a tiracolo, se aproximou da gente de modo simpático e natural. Já era o bom jogador do Corinthians que despontava, mas não sei se já alcançara a fama que a Democracia e seus títulos outorgariam futuramente, lapidando seu nome na eternidade.  Reparei na chinfra do rapaz e fui muito com a sua cara. Pela primeira vez na vida falava com um jogador de futebol &#8211; até então jogadores faziam parte de uma categoria de seres inatingíveis.</p>
<p>Me lembro do quanto eu vibrei quando ele foi jogar no São Paulo, por empréstimo. Estava meio desacreditado no Corinthians e acabou se reerguendo no tricolor. Por não ter o preço de seu passe estipulado, voltou para o alvinegro e de lá partiu para a Itália. Foi quando ele retornou da Europa que nos conhecemos de fato. Eu, ele e Marcelo Fromer tínhamos aquela fissura de juntar esses universos distintos da música e do futebol, distantes apenas por falta de apresentação. Tendo profissões mais do que semelhantes, nosso interesse sempre foi o de desvendar os segredos que faziam a outra metade do campo parecer mais cintilante. Todo jogador sempre quis saber como é estar num palco. Todo músico sempre quis saber o barato de fazer um gol.</p>
<p>Há muito mais em comum entre essas duas profissões do que as pessoas sequer imaginam. No fundo, no fundo, ser adorado por dezenas de centenas, ser ovacionado por milhares de pessoas tem um efeito tão inebriante quanto aterrador. O aplauso traz apenas alívio imediato para uma dor que não tem cura. A grande plateia só ilumina mais intensamente a solidão inescapável da existência em cada um de nós. Alguns passam ilesos por isso. Outros, nem tanto.</p>
<p>Entre as coisas que me fazem admirar esse grande homem que é Walter Casagrande Júnior estão a capacidade de conviver com suas imperfeições, a coragem de enfrentá-las e a perseverança necessária para reconstruir os caminhos que foram destruídos. Posso dizer que eu sei o quanto é duro, o quanto parece difícil retomar a vida depois que o seu curso tantas vezes fugiu do controle. Falo por mim e por mais ninguém, porque sobre essas coisas não existem regras, receitas, nem verdades, apenas a experiência de cada um. Estou lançando um disco novo, DRÊS, e nele há uma canção que escrevi para minha filha, Sophia, cujos versos dizem: “Sofria vendo eu me destruir sem conseguir me parar/ Sofri vendo você pedir as coisas que eu não pude dar”. Tempos ruins que ficaram pra trás. Hoje, tudo que ela quer é me ver bem, seja em casa seja no palco. Eu penso o mesmo: tudo o que eu quero é ver o Casa sempre bem assim, na vida, na TV.<br />
Você fez falta, camarada!</p>
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