Discos

Escolha pela música

12 de Janeiro (1994)

Capa do Album 12 de Janeiro (1994), de Nando Reis e os Infernais
  1. Bom Dia

    Bom dia
    Agora nasceu um novo dia
    Doutor Zezé
    Bom dia, Dona Mariquinha
    Bom dia, Doutor Zézinho.
    Dona Cecília, Dona Leninha, Ataliba
    A Dona Alice deixa a Dona Judith em pé
    Zé Carlos Filho
    Zé Luiz
    Maria Luíza
    Maria Cecília
    Agora a minha família já é muito maior
    E muito melhor

    Vânia
    Theodoro
    Sophia
    O meu filho Sebastião
    Ismael
    E Zoé

    O nascimento
    O tempo
    No momento
    Um sentimento
    Me acorda
    E concorda
    Que agora é hora
    Fora com essa vida pior
    A vida assim é melhor

    Eu vou andando
    Eu vou andando
    Eu vou andando
    Vou cantando

    Não tem de ser assim
    Que tudo se acabou
    Nada fica perto do fim
    Quando começou
    E acho que está tudo bem
    Agora que tem mais gente
    Vamos não olhar pra trás
    E olhar pra frente

    Voltar para o topo da página
  2. Meu Aniversário

    Eu não posso entender
    Essa vida tão injusta
    Não vou fingir que já parou de doer
    Mas um dia isso vai acabar

    Eu não consigo me convencer
    Que essa vida não foi injusta
    Tanta falta me faz você
    Queria ver você em casa

    Mãe
    O amor que eu tenho por você é seu
    Mãe
    O amor que eu tenho por você é seu
    Como é meu
    O meu aniversário

    Mãe
    O amor que eu tenho por você é seu
    Mãe
    O amor que eu tenho por você é seu

    Aniversário
    17 de agosto de 1935
    12 de janeiro de 1963
    19 de junho de 1989
    Agora eu tenho 29

    Voltar para o topo da página
  3. Me Diga

    Se eu acordo preocupado com as
    Providências como uma conta no banco
    Que eu não tenho dinheiro pra pagar
    Isso me aflige e atrapalha
    Faz com que eu não me de conta
    De outras coisas
    Que eu deveria cuidar

    Então me diga
    Se você ainda gosta de mim
    Porque de você eu gosto
    Isso não deve ser assim
    Tão ruim

    Dos meus filhos eu sinto saudade
    Eu tenho medo que eles achem que
    Eu não sinto a falta deles
    Como eu acho que eles sentem de mim
    Pego o meu carro pelo asfalto
    Uso um sapato da mesma maneira
    Por influência do meu pai

    Então me diga
    Se você ainda gosta de mim
    Porque de você eu gosto
    Isso não deve ser assim
    Tão ruim

    Há quanto tempo eu conheço você
    Oh, quanto tempo eu ainda vou precisar
    E eu dependo do que eu não entendo
    Eu pretendo apenas
    Que você saiba que isso é meu amor

    Voltar para o topo da página
  4. Do Itaim Para o Candeal

    Eu vim de São Paulo
    Do Itaim para o Candeal
    O canto do galo
    Em todo o canto do mundo é igual

    Eu vi
    A ladeira deitar
    Lavadeira chorar
    Mamadeira quero sim

    Eu gosto de tocar no rádio
    O que parece o óbvio é o fundamental
    Pegou tesouro no Pelô o plágio
    Nessa nação tudo é regional

    Eu vi
    A peneira coar
    A Mangueira passar
    Quarta-feira até o fim

    Eu vou, eu vou
    Até onde está meu amigo
    Pra lhe abraçar

    Voltar para o topo da página
  5. Foi Embora

    Maria foi embora
    Maria foi embora
    Maria foi embora
    E agora eu quero chorar

    Um dia levantou
    Olhou e me falou
    “Eu não te quero mais”
    Você me fez sofrer
    Você me machucou
    Sem ter razão nem dó
    E assim prefiro eu só

    Maria foi embora
    Maria foi embora
    Maria foi embora
    E agora eu quero chorar

    Ai, se ela voltar
    Ai, se ela me quiser
    Perdão
    Errei

    Voltar para o topo da página
  6. O Seu Lado de Cá

    Na minha frente eu vejo o mar
    Na frente do mar está a ilha
    Na minha frente eu vejo o mar
    Na frente do mar está a ilha

    Lá onde nasce o dia
    Lá onde cresce o mar
    Longe o mundo, a ilha
    Vendo o seu lado de cá
    Pelo seu lábio de maré
    Deixo o seu nome chamar
    Até ter fim 
    ouvindo

    Voltar para o topo da página
  7. Fiz o Que Pude

    Eu não vou mais chorar
    Eu fiz o que pude
    Não paro de pensar
    A tua ausência me ilude
    Não posso acreditar
    Que eu não pude
    Parar para te esperar
    Essa distância me ilude

    Não dá mais pra continuar assim
    Eu quero que você me ajude
    Eu quero que você volte a acreditar em mim
    Mas para isso é preciso que eu mude

    Eu acho que eu ainda sou moço
    Eu acho ainda que eu não morro
    Eu acho que ainda é possível
    Que eu consiga viver em paz

    Voltar para o topo da página
  8. A Fila

    Compramos presentes indo à feira
    De chinelos mas muito bem vestidos
    Atravessando a rua com cautela
    E protegidos pela ciência

    Amedrontados em fila na escola
    Sem camisa
    A brisa a chuva a ventania
    O vento entra dentro pela frente
    Vindo sem qualquer
    Velocidade

    A fila
    a dúzia o maço um bocado
    um pedaço e um buquê

    O pátio empresta o colo para ela 
    E ele eles elas somos todos outros
    E o pai leiteiro
    Apaixonado
    Vê no filho um bezerro
    Enquanto encosta
    O ombro as costas e as pernas
    No conforto do sofá de couro
    Sem braços

    A fila

    A dúzia o maço um bocado

    Um pedaço e um buquê
    Avisa 
    Que eu procuro o mais barato pra sobrar
    O dinheiro que eu preciso pra comprar
    Muitas flores pra você

    Voltar para o topo da página
  9. E.C.T.

    Tava com um cara que carimba postais
    Que por descuido abriu uma carta que voltou
    Levou um susto que lhe abriu a boca
    Esse recado veio pra mim, não pro senhor.

    Recebo crack, colante, dinheiro parco embrulhado
    Em papel carbono e barbante, até cabelo cortado
    Retrato de 3 x 4 pra batizado distante
    Mas isso aqui meu senhor, é uma carta de amor

    Levo o mundo e não vou lá

    Mas esse cara tem a língua solta
    A minha carta ele musicou
    Tava em casa, a vitamina pronta
    Ouvi no rádio a minha carta de amor

    Dizendo “eu caso contente, papel passado, presente
    Desembrulhado, vestido, eu volto logo me espera
    Não brigue nunca comigo, eu quero ver nossos filhos
    O professor me ensinou, fazer uma carta de amor”

    Leve o mundo que eu vou já

    Voltar para o topo da página
  10. Para Querer

    Para querer

    Cascas a sua casa
    Pernas as suas patas
    Filhos igual caroços
    No berço fóssio,no gelo sol
    Netos ao redor
    Saiba o pior
    Para querer
    Vacas mas sem vogal
    Guerra vezes pulmão
    Noite, adubo, irmãos
    O avô minério
    Na unha pedra
    Na testa tem motor
    Ligado no ar
    Ligado não vai desligar
    Não vai desligar

    Voltar para o topo da página
  11. A Urca

    Não posso mais olhar para um prato
    Que eu vejo cor de rosa
    Cor de rosa era a cor do nosso prato

    Não posso mais pegar um taxi
    Que vá pelo aterro
    Se eu olho para o lado esquerdo
    Eu vejo a sua casa.

    Será que é a sua casa ainda ?
    Será que é você naquela janela?
    A Urca é linda
    E eu não coube dentro dela.

    Não posso mais guiar o seu carro
    Porque eu tô por fora.
    Eu tô de fora do seu álbum de retrato.

    Não posso mais ficar sozinho
    Com o meu pensamento
    Eu não aguento tanto tempo
    Longe dessa casa.

    Será que é minha a sua casa ainda ?
    Será que eu ainda caibo dentro dela ?
    A Urca é linda
    Mas você ainda é muito mais bela.

    Não posso mais guiar o seu carro
    Que eu vejo cor de rosa.
    Tô de fora do seu álbum de retrato.

    Não posso mais ficar sozinho
    Com o meu pensamento
    Se eu olho para o lado esquerdo
    Eu vejo a sua casa.

    Será que é a sua casa ainda ?
    Será que é você naquela janela?
    A Urca é linda
    E eu não coube dentro dela.

    Será que minha a sua casa ainda ?
    Será que eu ainda caibo dentro dela?
    A Urca é linda
    Mas você ainda é muito mais bela.

    Voltar para o topo da página
  12. A Menina e o Passarinho

    Nosso amor começou certo dia no banco da praça
    Eu a vi segurando um caderno, sentada com graça
    Meu olhar encontrou seu olhar mirando um passarinho
    Machucado, ferido, sangrando, fora do seu ninho
    Ela levantou e se aproximou da pequenina ave
    Que tentava em vão atingir o alto de sua árvore
    Foi então que a vi derrubar um modesto lencinho
    Que depressa apanhei e tentei lhe entregar com carinho

    Mas eu pensei que o amor só fosse alegria
    Nunca imaginava que amando
    Fosse infeliz algum dia

    Percebi que o lencinho da moça estava molhado
    E eram lágrimas que escorriam de seu rosto pálido
    Condoído tentei lhe falar, mas minha voz não saía
    Em minha vida inteira jamais moça tão linda eu vira
    Estendi minha mão para o lenço à donzela entregar
    Mas senti sua mão muito fria como se ela fosse desmaiar
    Eu depressa peguei a mocinha e carreguei-a em meu colo
    E sem querer esmaguei o bichinho que estava ferido no solo

    Mas eu pensei que o amor só fosse alegria
    Nunca imaginava que amando
    Fosse infeliz algum dia

    Sem saber o que eu iria fazer continuei caminhando
    A boneca em meus braços caída e eu apaixonando
    Eis que então um garoto de mim se aproxima correndo
    “Ela é minha irmã e está muito doente” ele foi logo dizendo
    Me pediu que levasse a maninha em sua moradia
    “Minha mãe já morreu, o meu pai se mandou, moramos com uma tia”
    Logo chegamos e assim que adentrei à singela casinha
    No sofá estendi com cuidado a minha doce princesinha

    Mandei o garoto chamar de imediato o doutor da cidade
    Enquanto a tia chorando agradecia a minha caridade
    O doutor logo assim que adentrou sua testa franzia
    E ao sair me cochichou “Ela só tem poucos dias”
    Já era noite e eu tinha que deixar a formosa donzela
    Da calçada ainda olhei a menina através da janela
    No portão entreguei ao irmão o meu endereço
    “Precisamos curar a menina seja qual for o preço”

    Mas eu pensei que o amor só fosse alegria
    Nunca imaginava que amando
    Fosse infeliz algum dia

    Passei os dias indo visitar a minha flor mais doente
    Meu coração cada vez que a via queimava mais que aguardente
    Nem com remédio nem medicamento a menininha melhorava
    Cada vez que a pequena me via de tanto chorar os seus olhos inchavam
    Mas foi numa manhã que eu ia saindo que o irmão me trouxe a notícia
    A menina já estava morrendo era pra eu ir com urgência
    Cheguei correndo e a pobre ao me ver falou em seu último suspiro
    “Nosso amor só está começando agora que eu me retiro

    Voltar para o topo da página