BOLEIROS – 20 E POUCAS PINTURAS Por Equipe Nando Reis

01/10/2009

Artigo de 1 de outubro de 2009 da coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Estado de S.Paulo

Segunda-feira agora foi o lançamento do “Meu pequeno são-paulino” livro que escrevi com ilustrações do artista plástico Rodrigo Andrade. Esse pequeno invento literário faz parte da coleção “Meu time do coração”, projeto da Editora gaúcha BelasLetras com alguns outros exemplares já lançados: Humberto Gessinger escreveu sobre o Grêmio, Serginho Groisman sobre o Corinthians, Fernanda Abreu fez o do Vasco, Gabriel o Pensador o do Flamengo. Embora seja destinado ao público infantil imagino que os livros atendam a todas as idade como se pretende toda a expressão de arte. Digo arte e não é a toa. Embora não queira me isentar com argumentos revestidos de falsa modéstia, no caso do livro que lançamos há um componente que realmente é belo e diferenciado – as pinturas que deram origem às ilustrações.

Quando aceitei o convite do editor, me foi feita a recomendação de indicar um ilustrador que fosse também torcedor do São Paulo.

Imediatamente pensei em Rodrigo Andrade, artista plástigo e grande amigo meu, colega de escola e de arquibancada desde a adolescência. Já na primeira conversa imaginamos que as ilustrações pudessem vir através da pintura de pequenos quadros à óleo, a partir de fotografias ou mesmo imagens de TV dos grandes momentos das conquistas do nosso time. E vou dizer aqui também sem economia de elogios que o trabalho do artista ficou estupendo, magnífico! No dia do lançamento reunimos todas as telas que ficaram expostas para a apreciação daqueles que se dignaram a prestigiar o modesto evento. Pela primeira vez pude contemplar a série de 20 e poucas pinturas reunidas e penduradas na parede.

Descontando a questão pessoal das imagens tratarem de cenas do meu time de coração, que também haviam sido por mim escolhidas como fatos determinantes da minha história com o São Paulo, posso dizer que o fato de ver o futebol como tema dessa extraordinária coleção de pinturas expôs outra faceta desse esporte apaixonante: a beleza retirada de cada movimento. Assim como uma foto captura do tempo a imagem fragmentada e congelada, na pintura figurativa o recorte é idêntico. A beleza do contorno da perna na hora da explosão do chute mortal; a impressionante envergadura do goleiro quando alça o vôo para defesa inimaginável; a harmonia da diferença dos traços de cada indivíduo no momento clássico da foto do elenco antes do início do jogo; e o próprio estádio repleto e colorido pela paisagem da floresta humana preenchendo os degraus de concreto…

As cores que compõem o uniforme de cada clube também são elemento importante nessa ligação feita pela cromática coerência. Preto e branco, vermelho e preto, vermelho, preto e branco, verde, azul celeste… Há nessa uniformidade das cores que conjugam uma mesma torcida um campo visual cujo reconhecimento cria uma sensação de conforto por meio desse elemento reconhecível, por essa riqueza compreensível. A cor é um signo tão forte que prescinde da ajuda das palavras. É paisagem visual, com trilha sonora de silêncio, música muda. Os olhos veem o que o ouvido não escuta.

Quando percorri sozinho a linha das pinturas penduradas na parede, com a galeria ainda vazia, meu coração se encheu com a lembrança da multidão alvoroçada de uma tarde ensolarada num estádio.
Uma emoção aguada e lancinante me inundou de nostalgia. Lembrei de coisas que há muito estavam esquecidas num canto ermo da memória silenciosa. Lembrei de gente que já se foi dessa vida, mas permanece eterna na lembrança de uma saudade perdida. Assim como meu avô, minha mãe e meu amigo Marcelo.

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9 Comentários

Comentários

  1. Nathalia

    1 de outubro de 2009

    Não vejo a hora de ter o livro nas mãos! Como vc disse, é um livro ‘infanil’, porém nós, sãopaulinos, vamos nos ‘encontrar’ nele… não importa a idade q tenhamos!

    Gostei da lembrança ao Marcelo…

    Bjs! ;)

  2. Tamiris

    1 de outubro de 2009

    Perfeito. Espero ler o livro em breve.

  3. rodrigo prado portilho

    1 de outubro de 2009

    espero que seja um sucesso seu livro, afinal sou seu fã incondicional, e são paulino tambem,

    um grande abraço

  4. Tamires

    1 de outubro de 2009

    Nando cada vez surpreendendo. Impressionante como de qualquer assunto ele consegue nos passar uma mensagem especial! Tô ansiosa para o show aqui em Maceió, que chegue logo!

  5. Mariana

    1 de outubro de 2009

    Lindo texto!! Cheio de sentimentos, emocionante até! E olha que eu não sou são Paulina e nen gosto muito de futebol!!! Parabéns!

  6. Katiane

    1 de outubro de 2009

    Nossa!!! Nando, qual é a 7ª arte que você escode?? Pois vc é um perfeito violonista, cantor, compositor, pai (escreve músicas lindas para o rebento :D ), escritor e tricolor. Adoro-te!!! Perfeitooo

  7. Belle Simoes

    1 de outubro de 2009

    Essa obra-de-arte com certeza vai ser o maior sucesso pq vc, Nando, é um sucesso!!! eu te amo tanto q nem cabe em mim… esstou em contagem regressiva para seu show aqui em Aracaju… Fiquei tão feliz, mas tão feliz que já estou divulgando esse show mesmo antes d qlq mídia. Bj e vem logo!

  8. Luciana Longo

    2 de outubro de 2009

    Ai, a poesia do Nando encanta, não? Lindo artigo!

  9. Thais

    7 de outubro de 2009

    Como fã apaixonada e fiel (ao Nando e ao SPFC), lá estava eu, naquela tarde chuvosa e de trânsito infernal, para prestigiar o evento… adorei!!!!
    Só um fato me deixou meio decepcionada… esperava um pouco mais de atenção, pois quando foi autografar meu livro, ao menos olhou pra mim, foi tudo muito mecânico. Tá, eu entendo que vc devia estar meio aéreo, por estar emocionado e muito feliz pelo acontecimento, mas eu tb estava lá por esse motivo e pela oportunidade de estar um pouco mais perto de vc, por isso esse meu desabafo, totalmente sem mágoas!!!!
    E com certeza, dia 24/10, lá estarei eu, em mais um show seu, vidrada como sempre!!!!
    obs: e quem sabe algum dia desses ainda terei a oportunidade de levá-lo pra voar…
    Amo vc!!!!

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