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FLAMBOYANTS EM FOGO Por Equipe Nando Reis
Artigo de 19 de novembro de 2009 da Coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Estado de São Paulo.
Ontem, subindo a João Moura como faço todos os dias, fui tomado de assalto pela explosão de flamboyants que ali se enfileiram com discrição gentil. As lindas flores vermelhas incendiavam a copa das árvores que pendiam seus galhos retorcidos até que eles quase tocassem o chão. Com o sol fervendo e o céu estalando em azul intenso, o choque das cores provocava uma espécie de impacto, desses que atordoam a vista da gente acostumado a não reparar em nada. E, até alcançar o fim do sobe-e-desce das ladeiras íngremes, percebi que o espetáculo se estendia para outras espécies vegetais que faziam companhia aos flamboyants no festival de luzes e cores destemperadas: quaresmeiras, jasmins-cravos, jacarandás-mimoso tardios e muitas outras plantas cujo nome desconheço enchiam de graça o espaço definido entre o meio-fio e o alto dos postes.
Ainda estamos na primavera, portanto seria natural que as flores espocassem com violência o flash de sua criação policromática. Mas, como o clima anda variando de um jeito perigoso nesses últimos tempos, arrisco a dizer que as chuvas fortes da madrugada que encontraram o calor tórrido desses dias ensolarados, devem ter contribuído para esse exagero das pétalas na plenitude exuberante de seu esplendor vívido.
Coisa linda de se ver.
Contrastes assim, choques extremados entre naturezas distintas – calor & frio, noite & dia, sombra & luz – produzem efeitos retumbantes. É sempre próximo ao desfecho do fim do ano que a gente tende a ficar mais radical. Talvez porque a paciência vá se esgotando ou, pelo contrário, a contenção necessária para cuidar das tarefas cotidianas que temos de empregar com parcimônia ao longo do ano, vá agora se distendendo. Seja pela proximidade das festividades, da bestialidade das farras, da felicidade feita de alegria das férias bem-vindas. E o resultado é um misto de euforia com desespero.
Tenho sempre medo do que nos reserva o fim do ano. Nada a ver com essas teorias catastrofistas que alardeiam o final dos tempos, baboseiras que inventam que o crepúsculo da civilização se dará em 2012 – não creio ou temo nada disso. Tenho medo de gente comum enlouquecida pelo calor zanzando em plena calçada, tenho medo do trânsito ensandecido que em São Paulo sufoca e assalta. Quando chega dezembro minha vontade é de não sair de casa.
E, se eu pudesse, ficaria vendo todo o tempo muitos filmes e muito futebol. Sim, por que o futebol tá pegando fogo. O fim de semana promete mais emoção dentro das quatro linhas, mais reviravolta nas extremidades da tabela, mais exasperação aos que sobem ou fogem dos dois G-4s. Vai fazer muito calor nesse feriado. Sexta-feira já é dia de descanso, já começa a preparação para ver o que vai nos oferecer a antepenúltima rodada. Claro que tem uma turma ali no miolo da tabela que está louca para o ano acabar, pra redefinir todo o planejamento, pra poder começar a tricotar o futuro dos novos sonhos, pra virar a página velha e amarrotada. Mas mesmo assim quer tirar uma ondinha torcendo contra.
Ontem, subindo a João Moura, quando me deparei com o fogo sólido das flores vermelhas dos flamboyants, quase me ceguei olhando para o branco do sol se desfazendo em plena Via Láctea; dali procurei o preto absoluto do asfalto derretido para esfriar a brasa das retinas sonsas.
O céu estava azul, mas tão azul, um azul profundo, talvez oceânico e não celeste. O verde continuava insistente, imperial e impenetrável, verde invencível e imponente. Nesse momento achei que a natureza fazia um desfile lúdico vestindo com as cores dos clubes seus elementos naturais. E pensei que todo mundo merece mesmo chance de sonhar. E ser feliz.
“Os Cegos do Castelo” em Guarapari Por Equipe Nando Reis
A Multiplace Mais, famosa casa de show de Guarapari (Espírito Santo), recebeu o Nando Reis e Os Infernais para um show no espírito da belíssima praia da cidade. Tudo conspirou a favor, a paisagem, o tempo, a energia acolhedora dos capixabas.
O clima estava tão descontraído que a gente até conseguiu um tempinho do Dalvino, mais conhecido como Capitão, pra contar um pouquinho da incrível trajetória dele na música, antes e agora nesses oito anos acompanhando o Nando, como técnico de monitor.
Deu tempo de todo mundo pegar uma praia, um super sol e até para o Nando acompanhar a vitória do amistoso entre Brasil e Inglaterra e o jogo entre São Paulo e Vitória da Bahia, pelo Campeonato Brasileiro.
E o pessoal ficou de olhos grudados no palco, soltou a voz e acompanhou o Nando na música “Os Cegos do Castelo”. Depois, foi se despedir e voltar pra Sampa.
Álbum de Fotos
Show Taubaté – Transferido Por Equipe Nando Reis
Olá pessoal,
O show em Taubaté que aconteceria no próximo dia 21 de novembro foi transferido para nova data a ser agendada no início de 2010.
O valor dos ingressos já vendidos poderá ser devolvido nos pontos de venda oficiais do evento.
Oportunamente divulgaremos nova data e local para o show.
AURORA INSONE Por Equipe Nando Reis
Artigo de 12 de novembro de 2009 da Coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Estado de São Paulo.
Tenho cá comigo que o pior momento para as divagações angustiadas que pipocam em forma de insônia é aquele quando a luz vai vencendo a escuridão, quando o sol começa a raiar, quando os primeiros pássaros se fazem ouvir ao longe por seus pios refrescados de orvalho recente.
Dormir, quase que consigo a qualquer hora; é só encostar a cabeça no travesseiro que a respiração já ressoa mais profunda, e a fantasia que promove a invasão do sonho começa a desfilar no pátio volátil da consciência desmaiada. Mas se estou com alguma pendência dependurada no varal dos pensamentos, com algum grilo saltitando no saguão que mora dentro da testa, ou se há um aborrecimento atrapalhando a paz ocasional do espírito, é nessa hora da aurora que o maldito incômodo rouba o tempo precioso do descanso e a cabeça começa a mal pensar. E assim, além do sono, se perde a razão. Tudo fica maior: esquilos ficam do tamanho de ursos, ursos cometem crimes atrozes como os piores humanos, e pequenos pecados viram crimes que, anunciados em cartazes espetaculares, nos condenam sem defesa ou julgamento – deitados de olhos abertos na cama, somos culpados!
Coisa ruim de ter que digerir durante uma noite de sono é derrota no futebol, ainda mais assim, em reta final de campeonato. Pior ainda quando você acha que foi garfado. Digo isso pensando em todos os palmeirenses, na noite terrível que tiveram de domingo pra segunda, depois do mau resultado contra o Fluminense. “Aquele gol do Obina… Ah! como aquele gol pôde ser anulado?” Sim, um gol mal anulado como aquele interfere – e muito! – no resultado da partida. E tem a agravante de ter sido anulado pelo mesmo árbitro que, entre muitos outros erros recentes, marcou um pênalti numa jogada em que o centroavante caiu quando entrava sozinho dentro da área – se não foi numa formiga, certamente ele tropeçou em sua própria sombra…
Essa questão da arbitragem no futebol é assunto que precisa urgentemente ser revisto em todos os aspectos: além da arbitragem existem problemas com os julgamentos. Se não bastasse a desastrada anulação do gol de Obina, os palmeirenses ainda foram brindados com a revelação de que a condenação de Vagner Love há duas semanas foi determinada pela cor de suas trancinhas. Segundo a diretoria alviverde um auditor presente no tribunal insinuou que, se as tranças do centroavante fossem rubro-negra, ele teria sua pena abrandada. Onde já se viu isso?
A qualidade das arbitragens anda tão baixa, que é difícil dizer se algum time tem sido mais prejudicado que outro. Todos têm queixas e é provável que todas as queixas tenham fundamento. E o problema fica maior sabendo que aquilo que os árbitros descrevem nas súmulas é julgado por profissionais que podem usar como agravante ou atenuante para seus pareceres, a cor da camisa, o peso de um distintivo ou a sua birra com uma agremiação que não lhe agrada.
Evidentemente bater num juiz não resolve nada. A última coisa que precisamos é de mais incentivo para a violência como solução para as divergências, sejam elas futebolísticas, político-partidárias, socioeconômicas ou meramente sentimentais. Mas se somos todos humanos e falíveis, não seria o caso de estender essa prerrogativa a todas as esferas dessa engrenagem? Um auditor não pode declarar isso impunemente.
Sei o quanto um gol mal anulado pode atrapalhar nosso sono, roubar o sonho da conquista de um campeonato. Para essas coisas não existe medida certa.
Tem gente que sofre por amor, tem gente que mata por nada, tem gente que morre por um gol, tem gente que chora só de ouvir o nome da pessoa amada. É assim.
Nando apresenta seu painel de retratos Por Equipe Nando Reis
Você tem um painel de retratos em casa com as suas fotos do coração? O Nando tem na sala da casa dele e nos recebeu para contar um pouco a história das fotos e do seu “quadro de retratos”, como ele mesmo chama no vídeo.
Filhos, amigos queridos, amigos distantes, quem você escolheu para colocar no seu painel de retratos? Compartilha com a gente também, como o Nando, nos comentários do post.
A pequena Fernanda Por Equipe Nando Reis
Oi, pessoal
A gente curte muito receber por aqui as mensagens, fotos, os vídeos que recebemos com material dos fãs.
Olha que fofo o vídeo que a Andréa mandou, da pequena Fernanda, de um ano e sete meses, e já fã de carteirinha do “nosso poeta Nando Reis”. Não deu pra resistir. Ela faz coro com o Nando em “Hi Dri”.
E tem mais uma palhinha da Fernandinha em “Ainda não Passou”.
Não é um doce? A gente gosta de doçura, de participação, de interação. E estamos por aqui pra receber vocês.
Nando e Sofia para Living Alone Por Equipe Nando Reis
A edição que está nas bancas da revista “Living Alone” tem uma entrevista exclusiva do Nando Reis e da Sofia. Pai e filha falam sobre seu relacionamento e comentam música “Só pra So”.
A gente traz os bastidores da entrevista e da sessão fotos para a revista, dá uma olhada.
A sagrada refeição Por Equipe Nando Reis
Artigo de 5 de novembro de 2009 da Coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Estado de São Paulo.
Das qualidades que nunca tive e sempre admirei nos outros, uma das maiores é a calma das pessoas que comem devagar. Sou verdadeiramente intrigado com essa capacidade que têm alguns indivíduos de sentar à mesa e, mesmo com fome, saborear a comida em cada movimento do maxilar.
Mastigar trinta e tantas vezes um bom pedaço de carne, como recomendam os que estudam o assunto; deixar o sabor penetrar nas papilas gustativas da língua em vez de empurrá-lo, como uma besta, goela abaixo. Sou daqueles que comem com pressa. Tenho de me vigiar para não engolir os alimentos e bater uma pratada numa velocidade selvagem. Como almoço muitas vezes sozinho, sem a dispersão de uma prosa, acabo comendo rapidamente, com o pensamento mirando a atividade lá da frente, fazendo da sagrada refeição uma tarefa mecânica.
Sei de tudo que há de mal nesse procedimento. Atrapalha a digestão, compromete a respiração, despreza o momento sublime proporcionado pelo paladar, é quase um desrespeito, não só com a saúde, mas com a boa comida que vem à mesa. E o incrível é que tenho a maior adoração pela hora da refeição. Das coisas que mais sinto falta nessa vida de divorciado é justamente a companhia da família à mesa, especialmente a das crianças. Crianças? Nem todos mais. Dois de meus filhos já estão praticamente criados e quando vejo a janela aberta já os imagino batendo suas asas, alçando vôo. O mais velho esse ano se casa. Vai me dar a benção de uma neta, que já tem prometido o nome de santa: Luzia. Mas haverão sempre de ser bondosos os domingos.
Por isso é que gosto tanto de terça-feira – é o dia que meus filhos passam comigo. Invariavelmente, acabo juntando os quatro (o quinto, que é o mais novo, mora longe, em São Leopoldo). Coisa boa é conversa de filho, risada de filho, piada de filho, até mesmo briga de filho. Se há hora certa para aprender a se colocar numa roda, se defender numa rusga, é justamente no meio dos irmãos onde até as mais rudes asperezas se relativizam, pois não há nada mais saudável do que a fraternal competição. Como os pequenos mamíferos, é em família que se aprende a arrancar o seu bocado. Essa semana foi diferente, devido ao feriado trocamos nossa janta para quarta-feira. E quarta é dia de jogo. E como futebol é uma espécie de prato típico nacional, algo entre a pizza e a feijoada, todo mundo curte, mesmo que haja entre nós a fundamental fratura da dissidência, para que possamos praticar a tolerância. No meio de tantos tricolores, é sempre arejado o ponto de vista de minha querida filha santista.
Então volto a dizer que admiro, quase que invejo, aqueles que sabem comer devagar. Aqueles indivíduos que, diante do prato, ruminam como a vaca que enfeita a paisagem do pasto. Às vezes queria ter nascido camelo, para poder apenas ter o prazer de saborear.
Certa vez, estava em Barcelona – antes de todas essas fobias que andam adoecendo a nossa civilização ávida por cuidar da saúde, esquecida de que a morte também é natural – e na mesa ao lado um casal catalão comia uma paella em meio de uma acalorada discussão. A linda moçoila que ardia o vermelho das bochechas cada vez que arguia, revezava uma bela tragada de tabaco com uma boa colherada de seu pão. Quando cheguei ao restaurante eles já estavam lá; quando pagamos a conta eles continuavam em ação, entre baforadas, garfadas e estridente berreiro.
No domingo assisti a uma partida espetacular: Cruzeiro e Fluminense! Eu acreditava que os mineiros estavam vindo pra realizar o ditado. Mas foram comendo tão devagar que acabaram devorados pelo desespero do faminto tricolor.
CADA SHOW É UM SHOW (Parabéns, Solange!) Por Equipe Nando Reis
Todo músico tem um anjo da guarda junto de si. No caso do Nando – e também dos Infernais e da equipe de produção – é a produtora Solange, que cuida de tudo, até das cobertas, para que nas viagens e nos shows todo mundo se sinta bem e tudo saia como o planejado. No show de Maceió, que aconteceu na véspera do feriado, no dia 31 de outubro, foi aniversário da Solange. Parabéns, Sô!
A paisagem belíssima da cidade e o calor dos fãs na Villa Niquin inspiraram a banda, como pode se ver na agitação de “O Mundo é Bão, Sebastião”. Como diz o Nando no vídeo, ainda na pilha, saindo do palco, “cada show é um show diferente”.
Aí, Maceió, vocês viram um show único. Como são todos.
DOIS ANOS DEPOIS Por Equipe Nando Reis
Artigo de 29 de outubro de 2009 da Coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Estado de São Paulo.
Há dois anos uma revelação indesejada descaiu sobre mim com o impacto de uma bomba, com a força invisível de um furacão. Cada um de nós tem seu pequeno baú de segredos, de pensamentos inadequados, de desejos inconfessáveis que respiram o ar rarefeito do sótão da mente incongruente, que só enxergam na luz com extrema dificuldade, pois foram criados na sombra, no canto protegido e esquivo que busca o retiro da escuridão. E não há nada de errado em não querer ser visto por todos o tempo inteiro. Buscar o refresco do recreio do silêncio das vozes alheias, o sossego do afastamento do convívio com os outros, mesmo que seja pelo o átimo de um segundo, pelo instante breve de poucos minutos, pelo degelo desértico da espera dos meses, pelo monólito dos anos seguidos e infinitos, por uma vida inteira… Faz parte. O que há de errado em querermos mudar de lugar, mesmo sem garantias de que venhamos a conseguir? Uma revelação não traz consigo necessariamente a resposta do seu entendimento; não há bula se não há remédio, não há chave onde não há portão.
Curioso é lembrar que justamente há dois anos o Campeonato Brasileiro estava nessa mesma fase, próximo ao desfecho. Lembro bem de um jogo de importância capital que não pude assistir no campo. Prostrado na cama, as imagens do estádio lotado provocaram em mim um sentimento de medo e desolação.
Quando você se sente mal fisicamente é estranho olhar para uma multidão. Ela exacerba o confinamento desse momento excludente, e a relação com o coletivo soa como enfática expulsão. Ao ver todos juntos você se sente como o “menos um”.
Futebol sempre foi para mim uma espécie de aquário onde nadam os peixinhos uniformizados da saúde (que é o esporte) e da euforia (que é alegria coletiva). Quando é algo dramático, explode assim, feito vulcão. Dentro do estádio, tudo que é vivo fica estático quando a memória registra nos livros coloridos dos arquivos o momento mais bonito que é a feitura de um gol. Claro que nem todo gol é bonito, não é lindo feito pintura. Tem gol feio que é querido, mas um gol contra é sempre doloroso, horroroso, indesejável, abominável.
Daniel Piza escreveu aqui há alguns dias que comparar futebol com amor é ridículo. Não acho. Amar é se permitir a ser ridículo, e a gente fica melhor quando não se amarra com tanta contenção. Quanto mais imperfeito, mais humano, mais belo.
Estava ontem vendo futebol pela TV com meu filho Sebastião, de 14 anos. De uns tempos pra cá o futebol entrou em sua vida de um modo muito intenso, poderoso, alucinante. Ocupa sua mente quase o tempo todo. O grande assunto é o São Paulo, os jogos dos adversários, os treinos, as notícias, os programas esportivos, o Campeonato… O futebol, enfim! Falávamos sobre o quão decisivo seria o jogo contra o Internacional e ele segredou com comovente inocência: “Se o São Paulo perder acho que eu vou chorar”. Quando ouvi essa frase fiquei pasmo.
Não sabia como reagir, como responder, o que falar. Me senti meio ridículo de dizer que eu também sentiria vontade de chorar – como já sentira em tantas outras ocasiões -, mas achei que seria ainda mais ridículo dizer que ele não deveria se importar tanto com isso. É bom poder chorar nas derrotas, embora o mundo todo o tempo inteiro esteja nos dizendo que o importante é ser feliz. Ser feliz não é apenas sorrir. Espero hoje estar exultante. Mas dois anos depois, não vou dizer que não tenha sido bom aprender a ruir.







